O trabalho remoto revelou o quanto do "trabalho" é teatro O trabalho remoto não matou a produtividade. Isso matou a atividade performativa. O escritório não é apenas um lugar onde o trabalho acontece. É uma fase onde o trabalho é realizado. Quando todos estão no mesmo prédio, você pode confundir visibilidade com valor. Você pode recompensar a pessoa que parece ocupada, fala com confiança nas reuniões, responde instantaneamente, fica até mais tarde e está sempre "disponível". Nada disso garante resultados. Isso garante uma audiência. O trabalho remoto arrancou o público. De repente, a produção importava mais do que a postura. O trabalho ficou mais difícil de fingir porque ninguém via você "tentando". E é por isso que tantos gerentes entraram em pânico. Não porque as equipes pararam de entregar, mas porque sua principal ferramenta havia sumido: vigilância disfarçada de cultura. Uma quantidade chocante da vida de escritório é ritual. Reuniões de status que podem ser um e-mail. Slides feitos para justificar slides. Projetos criados para criar projetos. Pessoas presas em um ciclo de coordenação sobre coordenação. Parece produtividade porque preenche o calendário. Mas é principalmente a gestão provando que merece existir. Quando os rituais desaparecem, você descobre o que realmente é o trabalho: tempo focado, prioridades claras e autonomia suficiente para fazer a coisa sem interrupções constantes. E aqui está a piada desconfortável: alguns papéis foram expostos como puro teatro. Se seu trabalho depende de ser visto fisicamente como real, talvez o trabalho não tenha sido real. O trabalho remoto não interrompeu o trabalho. Revelou isso. Então o verdadeiro debate não é "remoto vs escritório". É o seguinte: queremos sistemas que recompensem resultados, ou sistemas que recompensem obediência e visibilidade? Porque forçar as pessoas a voltarem ao escritório para "consertar a cultura" muitas vezes só significa restaurar o palco.