Tem havido muita conversa sobre 'direito internacional' à luz da situação atual entre os Estados Unidos e a Venezuela. Portanto, acho importante analisar o que realmente é 'direito internacional'. O direito internacional existe na mesma forma que a etiqueta existe entre estranhos armados. Ou seja, ela é real apenas na medida em que o poder acha conveniente agir como se fosse. No nível interno, sabemos que a lei é respaldada por um monopólio sobre a força legítima. Os tribunais emitem decisões porque a polícia, as prisões e, em última instância, o estado podem obrigar o cumprimento. A lei sem aplicação é apenas instrução moral. O direito internacional carece desse suporte de fiscalização. Não há soberano global, nem polícia mundial com autoridade incontestável, nem árbitro final capaz de coagir grandes potências contra seus interesses. O que chamamos de "direito internacional" é, portanto, melhor entendido como um quadro de coordenação entre Estados, e não como direito no sentido forte. Ela codifica expectativas, normas e linhas vermelhas onde os incentivos já estão mais ou menos alinhados. Quando não acontecem, é ignorado, e todos sabem disso de antemão. É por isso que o direito internacional é rigorosamente aplicado contra Estados fracos e invocado seletivamente contra os fortes. Ela limita os atores apenas quando a restrição é barata. Quando as apostas aumentam – segurança, sobrevivência, domínio estratégico – os tratados se tornam papel e os princípios se tornam retórica. Isso não significa que o direito internacional seja inútil. Ele realiza várias funções reais. Reduz os custos de transação entre Estados, estabiliza expectativas em domínios de baixo conflito, fornece linguagem diplomática para negociações e pressão, e permite que os Estados sinalizem intenções e compromissos. Mas nada disso torna a lei vinculativa da mesma forma que a legislação interna é vinculativa. O erro que as pessoas cometem é tratar o direito internacional como uma autoridade moral, e não como o que realmente é, como um reflexo de equilíbrios de poder congelados no texto. Quando esses equilíbrios mudam, a lei fica para trás ou colapsa. Então, quando as pessoas perguntam se o direito internacional é real, a resposta de Anton seria que ele é real como coordenação normativa, mas não real como comando soberano. Fingir o contrário não é idealismo, é um erro de categoria que leva a confusão crônica, indignação seletiva e legalismo performático. Continuamos agindo chocados quando o direito internacional "falha", mesmo fazendo exatamente o que uma lei sem aplicação sempre faz; Aplicando quando conveniente, evaporando quando for caro.